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Quinta-feira, 08.12.16

A Fronteira

Sanidade e loucura serão dois conceitos relativos? Alguém será "são" ou "louco" conforme a subjetividade ou objetividade de quem faz esse julgamento?
Não é nada simples. Para entender o que é a loucura é preciso entender  como o ser humano encara e compreende a realidade. Para alguns, a realidade é tudo aquilo que podem sentir através dos cinco sentidos, o que não tem muita lógica já que esses sentidos no ser humano podem ser facilmente destruídos, confundidos ou mesmo a falha de algum deles.
A célebre frase  de René Descartes: “Penso, logo existo” diz-nos que o melhor método de interagir com o mundo é com  a consciência, o pensamento. Mas, mesmo a mente pode ser afetada por distúrbios como a bipolaridade ou a esquizofrenia; logo, afinal como definir a realidade e o que é ou não a falta de compreensão da mesma?
A definição de loucura é alienação mental. E em psicologia, são condições da mente caracterizadas por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Então a loucura pode não estar definida pelas condições mentais de uma pessoa, mas pelas diferentes maneiras de ser, julgada pela sociedade. Já que vivemos numa sociedade capitalista pode concluir-se que a insanidade mental é  a incapacidade de viver em função do dinheiro e de obedecer as regras da sociedade. Daí, a sanidade e a loucura serem conceitos relativos, o senso comum define sanidade como o comportamento idêntico ao da maioria. Vendo as coisas por este prisma, não sei se haverá algum limite entre sanidade e loucura. A linha é muito ténue. Sanidade e loucura parecem ser conceitos antagónicos, mas na  essência são complementares. Ninguém é louco o tempo todo e a sanidade não aparece "ad infinito". Temos momentos em nossa loucura que são atos extremos de sanidade e em nossa sanidade, podemos agir como loucos. Alguém disse que “a loucura é como a gravidade, tudo o que é preciso é de um empurrãozinho" essa frase na minha opinião é brilhante. Como se a insanidade fosse algo que já existe latente em todos nós em alguns mais desperta em outros mais retraída, como concluiu o fictício Dr. Simão Bacamarte no conto de Machado de Assis, O Alienista.
Faria sentido estudar psiquiatria ou psicologia para ajudar os insanos? Ou será que vale mais a pena para estes, viver em seu universo paralelo, afastados de todo o horror da realidade. Até mesmo no Corão, Maomé declara que os loucos são veneráveis, e que Alá tirou o juízo destes para que não pequem.
Em minha opinião cada um segue um conceito de sanidade e loucura diferente, aos olhos da sociedade, loucos são aqueles que não seguem as condutas impostas por velhos chatos; então, cada um que se veste diferente, ouve música diferente, fala diferente, é louco? Einstein e outros génios seriam loucos, ou não?
Acho que o termo insanidade mental foi criado para impedir que as pessoas que pensam diferente sejam bem interpretadas.
Cada um vive o que quer viver, ninguém fica louco do nada e sem motivo. A insanidade vem de anos de sofrimento fisico e psicológico, que acabam por destruir a capacidade do ser humando de identificar o que é real, e o que ele gostaria que fosse real.

A dúvida continua e irá continuar ao longo dos anos.

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por palavrasesentidos às 14:32


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