Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

http://palavrasesentidos.blogs.sapo.pt



Quarta-feira, 26.04.17

Casa Andresen - Centro de Ciência Viva

A Casa Andresen, no Jardim Botânico do Porto, primeiro polo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto vai abrir em maio, uma exposição tendo como pretexto a antecipação da inauguração da Galeria da Biodiversidade, e com base na literatura de Sophia de Mello Breyner, apresentar um espetáculo de teatro, performance, "vídeo mapping" e ... uma baleia.
Esta baleia leva-nos até ao mês de novembro de 1937. A norte de Leixões, na Praia do Paraíso, uma "Balaenoptera musculus" tinha dado à costa. As dimensões, do focinho à extremidade da cauda, o dorso cor de ardósia, a cor negra das barbatanas peitorais e das barbas não deixavam margem de dúvida, tratava-se de uma baleia azul. O animal foi arrematado por um industrial para aproveitamento do óleo e restantes despojos, tendo ficado o esqueleto à disposição do Instituto de Zoologia Dr. Augusto Nobre, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. O tratamento e preparação decorreu na Estação  de Zoologia Marítima, que ficava situada na Avenida de Montevideu, na Foz.
Este é o esqueleto da baleia referido no conto "Saga", do livro Histórias da Terra e do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen. O conto fala do jovem Hans que das águas gélidas do norte da Europa, e contrariando a vontade do pai, embarca num veleiro rumo ao sul. Ancorou numa cidade de colorido intenso e sombrio, que bem poderia ser o Porto. Acolhido por um inglês, torna-se um homem de negócios e faz fortuna. Compra uma quinta que do alto de uma pequena colina descia até ao cais de saída da barra, escreve Sophia. Quinta essa, que tudo leva a crer, será a mesma onde a autora e o primo, também escritor, Ruben Andresen, terão brincado na infância. O conto será inspirado na história do bisavô de Sophia, Jann Hinrich Andresen, que veio para Portugal em meados do séc. XIX, deixando para trás a ilha de Förh, no arquipélago das Frísias. Nesta quinta existia um palacete que, em 1951, foi adquirido e entregue à Universidade do Porto.  Tudo na casa era desmedidamente grande, escreve Sophia: desde os quartos de dormir onde as crianças andavam de bicicleta até ao enorme átrio para o qual davam todas as salas e no qual, como Hans dizia, se poderia armar o esqueleto da baleia que há anos repousava, empacotado em numerosos volumes, nas caves da Faculdade de Ciências por não haver lugar onde coubesse armado.
Da Faculdade de Ciências passou para o seu Museu de Zoologia, e após um trabalho de restauro e recuperação, o esqueleto da baleia ficará então de novo patente ao público naquela que será a futura Galeria da Biodiversidade.
A Casa vai ter exposições permanentes e, sendo um Centro de Ciência Viva, terá espaços interativos para todas as classes etárias. Irá também acolher atividades diversificadas dirigidas a todos os tipos de público sobre o tema da biodiversidade sempre em cruzamento com outras áreas de conhecimento, especialmente no âmbito das artes e da literatura. Mais uma valia para a nossa cidade.

esqueleto.pngcasa.png

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por palavrasesentidos às 19:18


Comentar:

Mais

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Abril 2017

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30