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Segunda-feira, 09.11.20

Sabores e cheiros da minha infância (original)

Pressinto que muita gente da minha geração se irá rever neste meu arrazoado de memórias.
Ainda hoje sinto alguns sabores e cheiros da minha infância, a saber:
O cheiro da lareira, quando passava o tempo das vindimas com a família numa aldeia do Alto Douro, o ruído dos berços de madeira no chão daquelas casas térreas e humildes.
O cheiro e o sabor das bananas daquela altura que me serviam de lanche, juntamente com bolacha Maria, quando ia aos domingos para o parque infantil do Palácio de Cristal; estou ainda a ver os baloiços, os escorregas, os cavalinhos e mais interessante ainda, tenho presente o rosto de uma empregada que me colocava nos baloiços e sorria sempre. 
O cheiro da colónia Ach Brito, dos sabonetes Patti e Musgo Real, do creme Nivea que me acompanha sempre ao longo dos anos pois era o meu protetor solar, também não têm o mesmo cheiro nem a mesma textura, que se passa afinal?
Recordo também as senhoras que vendiam bolos na praia com uns baús em folha de flandres pintados a azul e que no seu interior nos traziam as famosas bolas de Berlim, que se riam para nós em toda a sua frescura e sabor inconfundíveis, mal a via chegar havia logo um alvoroço para que o meu lanche fosse premiado com semelhante iguaria. O baú era aberto a criançada fazia roda a observar todas as gavetas que se abriam do interior do dito. Meu Deus aquele cheiro nunca mais saiu do meu olfato.
Havia também o homem que vendia batata frita à inglesa, o barquilho ou língua da sogra, os famosos picolés, como sou cota... tudo era apregoado pela areia fora e dava uma vida enorme às praias.
Recordo as idas ao Palácio de Cristal aos sábados à noite, no verão, sim porque nessa altura havia verões, onde namorava e passeava na Avenida das Tílias enquanto os papás conversavam com os amigos nas esplanadas. De vez em quando lá íamos fazer um furo nas barracas de chocolate, a mais conhecida era a Regina, para ver se saía a bola dourada que nos dava acesso a um prémio grande; na pior das hipóteses a vulgar tablete estava sempre garantida.
Muitas das vezes a noite acabava a beber uma cerveja, acompanhada de tremoços e amendoins na Galiza, uma cervejaria que estava na berra e foi anos mais tarde deitada abaixo para dar lugar a apartamentos de luxo situados na praça que deu o nome ao estabelecimento (Praça da Galiza).
Tanta recordação que guardo na memória e no coração!

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por palavrasesentidos às 15:52


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